
Embora seja considerado raro, o câncer infantojuvenil é a doença que mais mata crianças e adolescentes no Brasil, com aproximadamente 2.500 óbitos por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Há poucos fatores externos relacionados com o câncer infantojuvenil, o que dificulta a prevenção primária. Por isso o diagnóstico precoce é a principal ferramenta para aumentar as chances de cura, e esta é a ideia central da campanha Setembro Dourado, liderada pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC).
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 7.930 novos casos de câncer infantojuvenil anualmente no triênio 2023-2025.
Conforme explica o oncologista pediátrico do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), Dr. Augusto Oliveira Silva, “as neoplasias da infância surgem a partir de alterações genéticas e têm pouca relação com o estilo de vida da criança e da família. Dentre os principais tipos de câncer na infância destacam-se as leucemias agudas, os tumores de sistema nervoso central e os linfomas”.
Sinais de alerta: o que os cuidadores devem observar
Os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil são comuns a outras doenças frequentes da infância, por isso o acompanhamento pediátrico regular é tão importante. “A persistência, intensidade ou associação de múltiplos sinais deve levantar suspeita e justificar avaliação médica mais frequente”, aponta Dr. Augusto. Alguns desses sintomas podem ser:
- Perda de peso inexplicada;
- Manchas roxas na pele não causadas por traumas;
- Dor de cabeça frequente e com piora progressiva, principalmente pela manhã;
- Febre sem infecção aparente;
- Palidez e fraqueza;
- Ínguas com crescimento progressivo;
- Alteração nos olhos, estrabismo súbito;
- Aumento do tamanho da barriga;
- Dor nas pernas e nos braços persistente e progressiva.
O médico ressalta a importância do reconhecimento desses sinais e sintomas, tanto pela população geral que leva seus filhos para acompanhamento quanto pelas equipes de saúde. Por isso a necessidade de campanhas nacionais frequentes e capacitações contínuas que visem aprimorar o diagnóstico precoce.
Encaminhamento e tratamento
Ao suspeitar de algum problema de saúde, a criança ou adolescente deve ser avaliado por um médico de confiança. Na persistência de sinais e sintomas de alta suspeição, o paciente precisa ser encaminhado a um centro especializado em oncologia pediátrica. O encaminhamento rápido a serviços de referência aumenta as chances de cura.
A abordagem terapêutica mais comum inclui cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Mesmo após o término do tratamento, a criança ou adolescente precisa ser acompanhado durante um período de 5 a 10 anos antes de receber a alta definitiva.
Na macrorregião do Triângulo Norte mineiro, que engloba 27 cidades, o Setor de Oncologia do HC-UFU/Ebserh – Hospital do Câncer em Uberlândia – é referência em oncologia pediátrica. Em forte parceria, o Hospital e o Grupo Luta Pela Vida apoiam ações e campanhas de diagnóstico precoce, além de oferecer suporte social e emocional aos pequenos pacientes oncológicos e suas famílias.