
O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Verde, uma iniciativa dedicada à conscientização sobre o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal. Com a estimativa de 45.630 novos casos por ano no Brasil, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença figura como o terceiro tipo de câncer mais comum no país. Diante desse cenário, o Grupo Luta Pela Vida reforça o compromisso com a disseminação de informações qualificadas e a promoção de ações preventivas.
A doença caracteriza-se pela divisão descontrolada de células anormais no cólon e no reto, parte final do sistema gastrointestinal. A grande maioria dos tumores tem origem em pólipos, lesões benignas que podem evoluir lentamente para um câncer. A detecção e remoção precoces desses pólipos são a chave para a prevenção.
Importância do rastreamento e os avanços no diagnóstico
A médica oncologista do Hospital do Câncer de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), Dra. Gisela Matos, destaca a fundamental importância dos exames de rastreio, como a colonoscopia, para a identificação antecipada de alterações. “A realização de exames de rastreio para o câncer colorretal desempenha papel importante no diagnóstico precoce dessa doença e aumento das chances de cura”, afirma.
A especialista chama atenção para uma mudança significativa nas diretrizes. “Recentemente ocorreram mudanças na idade na qual iniciamos o rastreio, que passou a ser 45 anos, devido a maior incidência deste diagnóstico em pacientes jovens”. Além dos exames tradicionais, como o de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, a médica aponta avanços. “Novas tecnologias como a pesquisa de marcadores como DNA tumoral (sérico ou fecal) tem sido desenvolvidas para facilitar o rastreamento de forma menos invasiva”.
Fatores de risco e a prevenção
Os principais fatores de risco para o câncer colorretal incluem idade (acima de 50 anos, embora haja uma crescente incidência em mais jovens), histórico familiar ou pessoal da doença, e fatores modificáveis diretamente ligados ao estilo de vida.
“Acredita-se que o estilo de vida moderno com ingestão frequente de alimentos ultraprocessados, pobre em fibras, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e obesidade contribuam para o desenvolvimento do câncer colorretal em idades mais precoces”, pontua Dra. Gisela.
Para a prevenção, a oncologista é enfática: atenção ao estilo de vida. “A dieta balanceada, evitando alimentos embutidos/processados, rica em frutas e verduras, contém os macro e micronutrientes importantes para a nossa homeostase orgânica e prevenção do câncer colorretal. Além disso, a prática de exercícios físicos regulares e o controle do peso também possuem papel protetor”.
Sinais de alerta e impacto do diagnóstico precoce
É crucial estar atento aos sintomas que podem indicar a doença. Os mais frequentes, incluem a mudança do padrão de funcionamento intestinal (diarreia e/ou constipação), fezes afiladas (formato de fita), sangramentos, dor abdominal, perda de peso e anemia por deficiência de ferro.
Identificar a doença em seu estágio inicial transforma o prognóstico. “O diagnóstico precoce impacta diretamente no prognóstico dos pacientes, aumentando consideravelmente suas chances de cura. Nesses casos, a cirurgia seguida ou não pela quimioterapia e/ou radioterapia adjuvantes, associadas às mudanças no estilo de vida, são as principais estratégias para alcançarmos a cura”, completa a médica.
A luta contra o câncer de intestino é, em grande parte, uma batalha pela informação e pela prevenção. Através da conscientização, é possível reduzir a incidência e a mortalidade desta doença.