
O Ministério da Saúde anunciou no final de setembro novas diretrizes para o rastreamento do câncer de mama que visam ampliar o acesso ao principal exame preventivo da doença: a mamografia. As mudanças, que já eram defendidas por entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), trazem mais clareza sobre a idade de início e o limite para o rastreamento ativo no Sistema Único de Saúde (SUS).
Início da mamografia a partir dos 40 anos em decisão compartilhada
A principal alteração estabelece que o exame seja feito por mulheres a partir dos 40 anos sob demanda, em decisão conjunta com o profissional de saúde, mesmo na ausência de sinais, sintomas ou histórico familiar. A paciente deverá ser orientada sobre os benefícios e desvantagens do rastreamento nessa faixa etária.
Essa ampliação é crucial, considerando que mulheres entre 40 e 49 anos já representam 23% dos casos da doença no Brasil.
Rastreamento ativo ampliado até os 74 anos
Outra medida significativa é a ampliação da faixa etária para o rastreamento ativo, ou seja, quando a mamografia deve ser solicitada de forma preventiva a cada dois anos. A idade limite, que era de 69 anos, passará a ser até 74 anos. A mudança reflete a epidemiologia da doença, já que quase 60% dos casos estão concentrados entre 50 e 74 anos, sendo o envelhecimento um fator de risco conhecido para o câncer de mama, conforme aponta o Ministério da Saúde.
Dr. Leonardo Mundim, médico oncologista do Grupo Luta Pela Vida, destaca o impacto atualizações. “A importância dessa medida está no número crescente de casos que temos registrado abaixo dos 50 anos, ampliando-se então a possibilidade do diagnóstico precoce para um número maior de mulheres”, aponta.
Mamografia: o padrão-ouro no diagnóstico precoce
A mamografia continua sendo o exame de rastreamento padrão-ouro para o câncer de mama. Dr. Leonardo reforça que a eficácia do exame está em sua capacidade de detectar lesões malignas. “É o exame de maior custo-efetividade para esse fim, podendo diagnosticar lesões iniciais ainda assintomáticas para as quais há maiores chances de cura sem riscos para a paciente e com menor custo.”
O aumento do número de casos abaixo dos 40 anos, embora multifatorial, está associado a diversos fatores de risco, incluindo hábitos de vida (sedentarismo e dieta), mudanças no padrão reprodutivo (primeira gestação tardia e baixa amamentação) e fatores hereditários, além da própria ampliação do acesso a métodos diagnósticos.
Atenção ao histórico familiar
Apesar das novas diretrizes gerais, o oncologista faz um importante alerta para o acompanhamento de mulheres com histórico familiar de câncer de mama. “É importante salientar que a depender do histórico familiar o acompanhamento deve começar ainda mais cedo. Mulheres com familiares de primeiro grau que tiveram a doença, devem iniciar a rotina preventiva 10 anos antes da idade com a qual a familiar foi diagnosticada (se a mulher teve diagnóstico aos 40 anos, sua irmã deve iniciar acompanhamento aos 30 anos)”, esclarece Dr. Leonardo.
Em 2024, o SUS demonstrou sua capacidade de resposta ao realizar aproximadamente 4 milhões de mamografias para rastreamento e 376,7 mil exames diagnósticos, números que devem crescer com a implementação plena das novas recomendações.