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O mês de setembro ganha a cor verde para alertar a população sobre o câncer de cólon e reto (câncer colorretal ou de intestino). Com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida, essa é uma das neoplasias que mais podem ser prevenidas e evitadas, no entanto, é a que mais tem acendido o alerta em razão do aumento de casos.
O panorama no Brasil: números e alerta para jovens
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2026–2028, são estimados 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto no Brasil.
- Homens: 26.270 novos casos estimados por ano (25,16 a cada 100 mil).
- Mulheres: 27.540 novos casos estimados por ano (25,07 a cada 100 mil).
- Posição: sem considerar o câncer de pele não melanoma, o câncer colorretal é o 3º mais frequente no país.
Por que os diagnósticos estão crescendo entre pessoas com menos de 50 anos?
A estimativa subiu de 45,6 mil casos no triênio anterior para quase 54 mil, um aumento de 18%. Segundo Felipe da Luz, pesquisador da equipe de Prevenção e Pesquisa do GLPV, esse aumento no público mais jovem decorre principalmente do estilo de vida moderno:
“O aumento dos casos em pessoas mais jovens está ligado principalmente a mudanças no estilo de vida moderno. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, embutidos (como salsicha, presunto e linguiça) e bebidas com açúcar, aliado ao sedentarismo, à obesidade desde a infância e a alterações na flora intestinal, tem impulsionado essa subida”, destaca o pesquisador.
Jovens não costumam realizar exames preventivos de rotina e costumam ignorar ou confundir sintomas (como sangue nas fezes ou dor abdominal) com problemas benignos, como hemorroidas ou cólicas. Isso atrasa o diagnóstico e faz com que a doença seja descoberta em estágios mais avançados, conforme aponta Felipe.
Os fatores de risco
Os tumores iniciam-se no intestino grosso (cólon ou reto) e, em mais de 90% dos casos, correspondem ao tipo adenocarcinoma. Trata-se de uma doença multifatorial que se desenvolve, na maioria das vezes, a partir de lesões benignas conhecidas como pólipos adenomatosos.
Existem os fatores de risco comportamentais, que são:
- Tabagismo e consumo de álcool;
- Sedentarismo e excesso de gordura corporal;
- Baixa ingestão de fibras (legumes, frutas, grãos).
Há ainda alguns fatores genéticos e outros:
- Doenças inflamatórias intestinais crônicas;
- Histórico pessoal/familiar de pólipos ou câncer;
- Condições hereditárias;
- Exposição ocupacional a radiações ionizantes.
Rastreamento e diagnóstico precoce
A detecção precoce altera drasticamente o prognóstico: quando descoberto no início, as chances de cura do câncer de intestino ultrapassam 90%.
“Para quem não tem sintomas e não tem histórico de câncer na família (risco habitual), as diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA recomendam iniciar o rastreamento aos 50 anos e fazê-lo até os 75 anos. Algumas sociedades médicas sugerem começar um pouco antes, aos 45 anos”, afirma Felipe.
A principal forma de rastreamento e também prevenção hoje é a colonoscopia, exame que pode identificar e remover pólipos benignos antes mesmo que eles se transformem em um tumor.
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) no SUS
Conforme destaca o pesquisador do GLPV, O Ministério da Saúde incorporou recentemente na rede pública o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), “um exame que tem alta precisão (sensibilidade entre 85% e 92%) para identificar sangramentos invisíveis a olho nu. O paciente colhe apenas uma amostra de fezes em casa e a entrega no posto de saúde. A grande vantagem é que ele não exige dietas nem restrições alimentares prévias. Se der positivo, o paciente é encaminhado para fazer a colonoscopia”.
Público-alvo: homens e mulheres de 50 a 75 anos, sem sintomas e sem histórico familiar, a cada 2 anos.
Sinais de alerta: quando procurar um médico
Em fases iniciais, a doença é silenciosa. Contudo, se qualquer um dos sintomas abaixo persistir por mais de 2 a 3 semanas, é indispensável buscar atendimento médico:
- Sangue nas fezes: vermelho vivo ou fezes escurecidas (aspecto de “borra de café”);
- Alteração do hábito intestinal: diarreia ou prisão de ventre persistente;
- Fezes afiladas: fezes finas, parecendo um lápis ou fita;
- Desconforto abdominal: cólicas, dores ou gases em excesso;
- Sensação de evacuação incompleta: vontade constante de ir ao banheiro sem conseguir esvaziar totalmente o intestino;
- Sintomas sistêmicos: perda de peso sem causa aparente, palidez, fraqueza e anemia.
Para quem possui parentes de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) com histórico de pólipos ou câncer de intestino, a rotina é diferente:
- Início antecipado: a investigação deve começar aos 40 anos de idade ou 10 anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico (o que ocorrer primeiro);
- Exame indicado: o acompanhamento deve ser feito diretamente com a colonoscopia (não por teste de fezes);
- Frequência: geralmente repetido a cada 5 anos (ou no intervalo indicado pelo proctologista/gastroenterologista).