
O Novembro Azul é mais do que uma campanha; é um convite urgente à conscientização e, principalmente, à ação. Com foco no câncer de próstata, que é mais comum entre os homens no Brasil (exceto o câncer de pele), é uma oportunidade para desmistificar a ida ao médico e promover o cuidado integral da saúde masculina.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de que o Brasil registre mais de 71 mil novos casos de câncer de próstata por ano. Este dado alarmante reforça a importância da detecção precoce. Em Uberlândia, de acordo com dados do Painel de Oncologia do DATASUS, 329 casos foram diagnosticados em Uberlândia em 2024, enquanto em 2025, até o início de outubro, o Painel registrou 152 diagnósticos desta neoplasia.
Quando diagnosticado e tratado em fases iniciais, as chances de cura do câncer de próstata podem chegar a até 98%. O problema? Muitas vezes, a doença só apresenta sinais em estágios avançados, dificultando o tratamento.
Fatores de risco: quem precisa de atenção redobrada?
Conhecer os fatores de risco para câncer de próstata é o primeiro passo para o cuidado preventivo:
– Idade: o risco aumenta significativamente após os 50 anos. Nove em cada dez diagnósticos ocorrem em homens com mais de 50 anos.
– Genética ou hereditariedade: ter pai ou irmão com histórico de câncer de próstata antes dos 60 anos aumenta as chances.
– Etnia: homens negros possuem um risco até 60% maior de desenvolver a doença, por razões ainda desconhecidas.
– Sobrepeso e obesidade: estudos recentes apontam maior risco em homens com peso corporal elevado.
– Álcool e tabagismo: o consumo destas drogas também é um fator que eleva as possibilidades do câncer de próstata.
Sinais e sintomas: o que observar?
Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente é silencioso, não apresentando sintomas claros. Quando aparecem, os sinais mais comuns são relacionados à micção:
– Dificuldade de urinar;
– Demora em começar e terminar de urinar;
– Diminuição do jato de urina;
– Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite (noctúria);
– Presença de sangue na urina (hematúria).
Atenção: estes sintomas também podem estar relacionados a doenças benignas. Por isso, a avaliação médica é indispensável.
O tabu e o rastreamento: uma conversa aberta
Aqui no Grupo Luta Pela Vida, queremos chamar a atenção para o maior obstáculo: o tabu sobre o cuidado com a saúde masculina. O preconceito e a resistência em realizar exames de rotina são barreiras que custam vidas.
A chave é a conversa com o seu urologista. Ele deve discutir os potenciais benefícios dos exames de rastreamento, auxiliando na decisão compartilhada, especialmente para homens entre 55 e 69 anos com expectativa de vida superior a 10 anos.
Os exames mais comuns para investigação são:
– Exame de PSA (Antígeno Prostático Específico): exame de sangue que mede o nível de uma proteína produzida pela próstata.
– Toque retal: o médico avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata.
– Prevenção primária: adotando um estilo de vida saudável
Embora o câncer de próstata não possa ser totalmente prevenido apenas com o estilo de vida, a adoção de práticas saudáveis diminui o risco de diversas doenças, inclusive o câncer. As recomendações são:
– Manter uma alimentação saudável (rica em frutas, verduras e legumes);
– Praticar atividade física regularmente;
– Evitar o tabagismo;
– Moderar o consumo de bebidas alcoólicas;
– Manter o peso corporal adequado;
O Novembro Azul é um lembrete: o autocuidado também é masculino. Quebrar o silêncio, dissipar o medo e encarar a ida ao médico como um ato de responsabilidade e coragem são atitudes que salvam.
Não espere os sintomas aparecerem. Agende uma consulta, converse abertamente com um profissional e promova a saúde integral. Sua vida e bem-estar valem mais do que qualquer tabu.