
O mês de março ganha a cor azul-marinho para reforçar uma conscientização e a prevenção ao câncer de cólon e reto, também conhecido como colorretal ou de intestino. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) revelam um cenário preocupante: para cada ano do triênio de 2026 a 2028, estimam-se 53.810 novos casos da doença no Brasil. Excetuando os tumores de pele não melanoma, este já é o terceiro tipo de câncer mais frequente na população brasileira.
Embora historicamente associado a pacientes com mais de 50 anos, o câncer de intestino tem apresentado um fenômeno alarmante: o aumento consistente entre adultos jovens, o chamado “early-onset colorectal cancer”.
De acordo com o Dr. Gustavo Ribeiro, médico oncologista, esse crescimento é observado principalmente na faixa entre 40 e 49 anos. Para o especialista, a ciência aponta que a causa não é isolada, mas sim uma combinação de fatores metabólicos e ambientais.
“As evidências apontam para a mudança no padrão alimentar, com maior consumo de alimentos ultraprocessados, carnes processadas, gorduras saturadas e açúcares simples, além do baixo consumo de fibras. A obesidade e a resistência à insulina também desempenham papel relevante ao promoverem uma inflamação crônica de baixo grau”, explica o Dr. Gustavo.
Genética ou hábitos: o que pesa mais?
Uma dúvida comum entre os pacientes é sobre a hereditariedade da doença. No entanto, o oncologista esclarece que a grande maioria dos casos — cerca de 70% a 80% — é considerada esporádica, ou seja, sem ligação com síndromes genéticas herdadas.
“Apenas 5% a 10% dos casos estão relacionados a síndromes genéticas claramente estabelecidas. Embora a genética seja relevante em subgrupos específicos, o maior peso populacional ainda recai sobre os fatores ambientais e comportamentais”, destaca o médico. Isso significa que a promoção de hábitos saudáveis continua sendo a ferramenta de prevenção mais eficaz.
Rastreamento e diagnóstico do câncer colorretal: quando começar?
Nos Estados Unidos, as diretrizes já recomendam que o rastreamento comece aos 45 anos. No Brasil, o debate sobre a antecipação da idade ainda passa por análises de custo-benefício e capacidade do sistema de saúde. Contudo, Dr. Gustavo reforça que quem possui histórico familiar deve redobrar a atenção.
“Indivíduos com histórico familiar de primeiro grau devem iniciar o rastreamento mais precocemente: dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico, ou aos 40 anos — o que ocorrer primeiro”, orienta.
Sobre os métodos de exame, o médico ressalta que a colonoscopia segue como o padrão-ouro, por permitir o diagnóstico e a retirada de pólipos na mesma sessão. Em larga escala, a pesquisa de sangue oculto nas fezes (método FIT) surge como uma alternativa eficaz e acessível para o sistema público de saúde.
Sinais de alerta
O câncer colorretal pode ser silencioso em fases iniciais, mas alguns sintomas não podem ser subestimados, especialmente o sangramento retal, muitas vezes confundido erroneamente com hemorroidas.
Fique atento a:
- Sangramento nas fezes;
- Alteração no hábito intestinal (diarreia ou constipação por mais de 4 semanas);
- Mudança no calibre das fezes;
- Perda de peso involuntária e anemia sem causa definida;
- Dor abdominal persistente.
Formas de tratamento
Para os casos confirmados, a medicina avançou para o que o Dr. Gustavo chama de medicina personalizada. “O manejo hoje é baseado em marcadores moleculares. Além da cirurgia e quimioterapia, utilizamos terapias-alvo e, em subgrupos selecionados, a imunoterapia, que pode proporcionar respostas duradouras”, conclui o oncologista.
O Hospital do Câncer em Uberlândia (HC-UFU/Ebserh) é referência no tratamento aos pacientes com diagnóstico de câncer colorretal. Em 2025, 1.064 pacientes foram atendidos e realizaram 4.716 consultas.