
O vermelho é uma das cores do mês de maio para alertar sobre um tema muitas vezes negligenciado: a conscientização e prevenção do câncer bucal. No Brasil, o cenário exige atenção, pois, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que surjam 17.190 novos casos da doença para cada ano do triênio de 2026 a 2028. Para entender como enfrentar esse desafio, conversamos com o Dr. Dhiancarlo Rocha Macedo, cirurgião-dentista do Hospital do Câncer de Uberlândia (HC-UFU/HU Brasil).
Principais causas do câncer de boca
O câncer de boca é um tumor maligno que se desenvolve nos tecidos da cavidade oral, podendo atingir lábios, língua, gengivas, bochechas e o céu da boca. O especialista explica que a grande maioria dos diagnósticos, cerca de 90%, corresponde ao carcinoma espinocelular.
O surgimento dessa doença está intimamente ligado a fatores de risco conhecidos, sendo o tabagismo em todas as suas formas (cigarro, narguilé, cachimbo) e o consumo excessivo de álcool os principais vilões. “Quando o tabaco e o álcool são associados, o risco é potencializado. Além disso, a infecção por HPV e a exposição solar crônica sem proteção completam os principais gatilhos para o desenvolvimento do tumor”, pontua o médico.
Como prevenir?
A boa notícia é que a prevenção está ao alcance de todos. Adotar um estilo de vida saudável, evitando o fumo e o álcool, é o primeiro passo. Somado a isso, a vacinação contra o HPV, o uso de preservativos no sexo oral e a proteção labial com filtro solar são medidas fundamentais. Na mesa, uma alimentação rica em frutas e verduras também atua como um escudo protetor para a mucosa oral.
O diagnóstico precoce é, sem dúvida, o divisor de águas no tratamento. Quando detectado cedo, as chances de cura aumentam drasticamente, a sobrevida do paciente é maior e os tratamentos podem ser muito menos invasivos. O Dr. Dhiancarlo reforça que, além das visitas regulares ao dentista para um exame clínico profissional, a população deve realizar o autoexame. “O sinal de alerta deve ser ligado caso apareça alguma úlcera ou ferida que não cicatriza em até 15 dias, ou manchas brancas e vermelhas persistentes. Nesses casos, o dentista avaliará a necessidade de uma biópsia para investigação”.
Se houver o diagnóstico, o tratamento será definido de acordo com o estágio do tumor, considerando seu tamanho e a presença de metástases. As frentes de combate incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que podem ser aplicadas de forma isolada ou em conjunto. No Hospital do Câncer de Uberlândia, o diferencial está no olhar integral ao paciente: uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões de cabeça e pescoço, oncologistas, dentistas, nutricionistas e psicólogos, com o suporte do do Grupo Luta Pela Vida, trabalha para garantir o melhor desfecho clínico e qualidade de vida durante toda a jornada de cuidado.