
A saúde oncológica de Uberlândia e região alcançou um feito histórico. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), por meio do setor de cuidados especializados, mais conhecido como Hospital do Câncer em Uberlândia, realizou o primeiro transplante de medula óssea (TMO) alogênico de sua trajetória — modalidade feita a partir das células de um doador. O primeiro receptor passou pelo processo de condicionamento e recebeu a nova medula, doada por sua própria irmã, no dia 04 de fevereiro de 2026.
Todo o processo contou com o apoio do Grupo Luta Pela Vida (GLPV). Para a instituição, que caminha lado a lado com o hospital desde a fundação, participar e apoiar a viabilização de mais esse avanço tecnológico e humano é motivo de profundo orgulho e a realização.
A evolução do serviço de oncohematologia
O HC-UFU já possuía uma grande expertise técnica na área: a unidade é habilitada desde 2019 para realizar o transplante autólogo (quando são utilizadas as próprias células do paciente). Esse serviço cresceu expressivamente, atingindo o marco de mais de 100 procedimentos em 2024 e fechando o ano de 2025 com 152 transplantes autólogos realizados ao todo.
O novo horizonte começou a se desenhar no segundo semestre de 2025, quando o hospital teve seu credenciamento para transplantes alogênicos aprovado pelo Ministério da Saúde. Em 2026, com a conclusão de todas as etapas de padronização e solicitações burocráticas, a equipe estava pronta para fazer história. O procedimento pioneiro contou com a participação e o apoio de enfermeiros especialistas em TMO e de um médico hematologista do Hospital Beneficência Portuguesa (BP), parceiro no Projeto TMO Brasil, vinculado ao PROADI-SUS.
O transplante alogênico é uma indicação importante para o tratamento de doenças que afetam gravemente as células do sangue. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é proposto em casos de mielodisplasias, alguns tipos de leucemias e na anemia aplástica grave.
Mais estrutura e conforto para os pacientes da região
A conquista traz um impacto direto no bem-estar e na humanização do tratamento. Anteriormente, os pacientes de Uberlândia e região que necessitavam dessa modalidade eram encaminhados para outros centros de saúde do país por meio do SUS, mantendo uma forte parceria de sete anos com o hospital de São José do Rio Preto (SP).
Agora, a realidade mudou. O médico hematologista do HC-UFU, Dr. Elmiro Ribeiro Filho destaca o alívio que a novidade traz. “Agora, temos um vislumbre de conforto. O paciente, que é de Uberlândia e região, não vai precisar ir para São José do Rio Preto e vai ser transplantado aqui.”
O médico explica que, nesta fase inicial, o hospital trabalhará com o transplante alogênico aparentado (com doadores da própria família totalmente compatíveis). A busca por doadores em bancos nacionais (REDOME) para pacientes sem familiares compatíveis ficará como um passo futuro para casos selecionados.
Para o Grupo Luta Pela Vida, este primeiro transplante alogênico coroa décadas de investimentos na qualidade técnica, na estrutura hospitalar e no bem-estar dos pacientes. Ao apoiar a capacitação de equipes e a manutenção do Hospital do Câncer, a comunidade e o GLPV ajudam a erguer marcos que transformam de forma definitiva o futuro e as chances de cura na luta contra o câncer.