
Quarto tipo de câncer mais comum no Brasil, o câncer de pulmão — que inclui tumores localizados na traqueia e nos brônquios — é também um dos mais evitáveis. No entanto, devido à ausência de sintomas nos estágios iniciais, apresenta uma alta taxa de letalidade.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2023 ocorreram mais de 31 mil óbitos pela doença no país. Já para o triênio de 2026 a 2028, a estimativa do INCA é de 35.380 novos casos anuais de cânceres de traqueia, brônquios e pulmão no Brasil, com um risco estimado de 16,51 casos por 100 mil habitantes.
A campanha Agosto Branco busca conscientizar a população sobre a relação direta entre o tabagismo e o surgimento do câncer de pulmão, reforçando a atenção aos sinais do corpo e o incentivo à prevenção. Sobre o tema, conversamos com o cirurgião torácico do Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU/HU Brasil), Dr. Vivalde Lobato, que esclareceu os principais pontos sobre fatores de risco, diagnóstico e hábitos de vida.
Tabagismo representa a principal causa da doença
O câncer de pulmão engloba um grupo de neoplasias malignas que se originam no tecido pulmonar. Trata-se de uma doença heterogênea, com diferentes tipos histológicos, perfis moleculares, comportamentos clínicos e opções terapêuticas.
De acordo com o Dr. Vivalde Lobato, o tabagismo é responsável por cerca de 80% dos diagnósticos. “Além disso, o tabagismo passivo — pessoas que convivem frequentemente com fumantes — apresenta um risco de 20% a 30% maior de desenvolver este tipo de câncer”, pontua o especialista.
Para além do cigarro convencional, outra grande preocupação está no radar da comunidade médica: os chamados vapes, ou cigarros eletrônicos, amplamente consumidos por jovens. Embora dados de longo prazo ainda estejam em consolidação, um estudo publicado na revista científica Carcinogenesis, que avaliou cerca de 100 pesquisas sobre o tema, indica que o uso de cigarros eletrônicos pode sim induzir o desenvolvimento de cânceres — não apenas de pulmão, mas também de boca, garganta e outras regiões.
Além do hábito tabágico, outros fatores de risco associados incluem:
- Exposição ocupacional a substâncias e gases poluentes (como amianto, radônio, arsênio, sílica, cromo, níquel, cádmo e emissões de motores a diesel);
- Idade avançada;
- Histórico familiar de câncer de pulmão e predisposição genética;
- Doenças prévias, como a fibrose pulmonar idiopática, e histórico de radioterapia torácica.
Início silencioso pode atrasar o diagnóstico
O câncer de pulmão permanece como uma das principais causas de mortalidade por neoplasias, devido, principalmente, à ausência de sintomas nas fases iniciais, o que leva ao diagnóstico tardio na maioria dos casos. Biologicamente, é uma doença agressiva e de rápida disseminação.
O médico ressalta que, quando presentes, os primeiros sintomas podem ser inespecíficos, mas exigem avaliação profissional imediata: “Costumam surgir tosse persistente ou alteração no padrão da tosse habitual, cansaço leve e dor torácica discreta. Em fases mais avançadas, o paciente pode apresentar tosse com sangue, falta de ar (dispneia), dor torácica aguda e rouquidão”.
Diagnóstico precoce salva vidas
Quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as chances de sucesso no tratamento e de cura. “O diagnóstico precoce é a estratégia com maior impacto na redução da mortalidade por câncer de pulmão. Quando identificado em fases iniciais, o tumor é tratado com intenção curativa”, afirma o Dr. Vivalde.
Para a detecção precoce, recomenda-se o rastreamento por tomografia de tórax de baixa dose de radiação para pessoas com alto risco: adultos entre 50 e 80 anos com histórico tabágico expressivo (ou ex-fumantes que pararam nos últimos 15 anos). Segundo o cirurgião, a adesão ao rastreamento pode reduzir a mortalidade pela doença em até 20%.
Por fim, a atenção aos hábitos diários é a maior aliada da saúde pulmonar: cessação do tabagismo, combate ao fumo passivo, uso de equipamentos de proteção no ambiente de trabalho e manutenção de um estilo de vida saudável.