
Estamos no Novembro Roxo, campanha que chama a atenção para o câncer de pâncreas, que, infelizmente, tem uma das maiores taxas de mortalidade entre todos os tipos de câncer. Isso ocorre principalmente porque o diagnóstico costuma ser feito em estágio avançado. Em 2020, ocorreram 11.893 óbitos no Brasil.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 10.980 casos novos de câncer de pâncreas no Brasil em cada ano do triênio 2023-2025. Os adenocarcinomas representam a maioria dos casos, tendo início nas células que revestem os dutos por onde passam as enzimas digestivas. A falta de sintomas claros e a dificuldade de detecção precoce fazem com que as opções de tratamento sejam frequentemente limitadas.
Entendendo os fatores de risco
Apesar de ser uma doença desafiadora, a prevenção e o diagnóstico precoce não são impossíveis. Nesse sentido, campanhas de conscientização que reforçam os riscos de hábitos nocivos são imprescindíveis. Fique atento:
– Tabagismo;
– Excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade);
– Diabetes Mellitus;
– Pancreatite crônica não hereditária;
– Exposição a solventes, agrotóxicos e outros produtos químicos.
A neoplasia pancreática também está relacionada a fatores não modificáveis, mas que demandam atenção para a realização de exames de rotina que possam detectar alterações no órgão:
– Câncer de mama e ovário hereditários associados aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2;
– Síndrome de Peutz-Jeghers;
– Síndrome pancreatite hereditária.
De olhos nos sinais e sintomas
Em estágio inicial, o tumor pancreático apresenta sintomas que podem ser confundidos com outras doenças ou com um simples mal-estar, o que leva a um diagnóstico tardio. Os sinais abaixo, quando recorrentes, devem ser investigados por avaliação médica e exames de laboratório ou ultrassonografia:
– Cansaço;
– Perda de apetite repentina;
– Perda de pesos inexplicável;
– Náusea, vômito ou indigestão;
– Sensação de estômago cheio;
– Dor no abdome ou lombar;
– Urina escura e fezes de cor clara;
– Icterícia (pele e parte branca dos olhos com coloração amarelada)
– Aparecimento repentino de diabetes.
O diagnóstico
Para o diagnóstico, utilizam-se métodos associados, como exame de sangue (dosagem do antígeno carboidrato CA 19.9), ultrassonografia (convencional ou endoscópica), tomografia computadorizada e ressonância magnética. Posteriormente, a análise do material obtido por biópsia fornece o laudo histopatológico para a definição do diagnóstico.
Nos casos em que a cirurgia ainda é uma opção, o procedimento mais indicado é a retirada do tumor. Além disso, os tratamentos mais comuns costumam ser a quimioterapia e a radioterapia, usadas de forma isolada ou combinada para reduzir o tamanho do tumor e aliviar os sintomas.
A evolução tecnológica tem impulsionado o diagnóstico precoce. Protocolos de imagem mais apurados, o uso da inteligência artificial na análise de exames e técnicas endoscópicas de alta precisão são ferramentas promissoras para identificar a doença em fases iniciais, aumentando as chances de sucesso no tratamento.